segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cultura de excessos

Perversa, excessiva, líquida, nossa cultura responde ao excessivo, é perversa.
Tudo se esvai, é líquida.
Há uma relação peculiar do sujeito com a cultura, tudo enfeixado.
São os nós que constituem o que chamamos de civilização.
E nessa linha nue entre sujeito e cultura, as manifestações clínicas estampadas no cenário comtemporâneo são expressões do mal-estar que marca a atualidade.
O mal-estar da anorexia, das fobias,da bulimia, da síndrome do pânico. O mal-estar da cultura.
Assistimos apáticos ao funcionamento social, aquele que tece os sintomas vividos.
O sujeito despersonalizado. Sem identidade, inconformado.
Nesse palco atroz, a subjetividade discursiva cede lugar a subjetividade da imagem. Alguém já ouviu dizer: "imagem é tudo"
E no campo das imagens produzem-se as psicopatologias, as quais tornam-se peças comuns, fazem parte...
Para fugir do indizível, do não falado- porque palavras não falam mais- o sujeito vomita, perde o apetite de falar, se aprisiona num silêncio silenciado, entra em pânico, o pânico da fobia de viver.

Roseane Farias

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