"O homem, por assim dizer, tornou-se uma espécie de 'Deus de prótese' "
Freud
Que mal-estar...
Freud em "O Mal- Estar na Civilização" (1927 - 1931) já nos antecipava que a civilização alcançaria, em épocas futuras, inimagináveis grandes avanços, o que tornaria o homem ainda mais semelhante a Deus. Entrementes, ele anunciava que esse papel de "quase deus" não estava fazendo com que o homem se sentisse mais feliz.
Sendo assim, o mal - estar continua...
Se outrora a civilização foi se constituindo a partir de intentos bem mais amenos como proteger os homens contra a natureza e ajustar seus relacionamentos, na contemporaneidade o cenário é bem mais ambicioso.
Estamos no século da plasticidade, do descartável, dos relacionamentos líquidos e do espermatozóide sintético.
Que evolução, Freud já pressagiava tal destino.
Se nos reportarmos ao sujeito da psicanálise iremos nos deparar com um sujeito sempre desejante porque sempre faltante. É essa falta inerente, esse buraco inexplicável, inenarrável, a falta inevitável.
Haverá sempre uma busca por esse algo que não se encontra nunca.
E por esse viés o homem vai satisfazendo sua razão, sua sapiência, sua pretensa onipotência. Todavia, contraditoriamente, vai se tornando cada vez mais infeliz, mais apático, mais plástico, mais descartável e mais sintético.
Roseane Farias
Amei.
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